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Quanto tempo devemos ficar no mesmo emprego?

Quanto tempo devemos ficar no mesmo emprego?

28 de Dezembro de 2015

Quanto tempo afinal devemos ficar no mesmo emprego? O mercado de trabalho dita-nos regras sobre isto?

Há pouco tempo atrás uns amigos estavam a debater esta questão e encontraram neste tema alguns argumentos que fazem sentido em direções opostas.

Até que decidiram ligar-me e perguntar a minha opinião.

Antes de mais é necessário esclarecer alguns conceitos que existem e na minha opinião não ser fundamentalista em relação a nenhum.

Posto isto, esclarecer:

1- Visão empregador Vs visão do trabalhador
Na ótica de um empregador pode ser agradável ter um candidato a emprego que tenha tido experiências em diversas empresas, porque no imediato, uma experiência diversificada pode ser bom para adquirir competências úteis para melhor estar preparado para desafios que se avizinhem.

Contudo, não é impossível que um trabalhador que tenha trabalhado apenas em uma empresa consiga apreender e assimilar diferentes realidades. Um colaborador pode transitar de desafio em desafio, ou de departamento para diferentes departamentos, caso tenha na empresa a hipótese de evoluir e abraçar diferentes desafios.

Como Jack Ma (CEO do Alibaba) defende, em termos de experiência será bom (entre os 20 e os 30 anos) conseguirmos trabalhar numa grande empresa, porque é neste tipo de empresa que conseguimos aprender muito sobre processos, ferramentas e como ‘as coisas funcionam’ e por outro lado, devemos conseguir trabalhar também numa empresa pequena ou numa start-up, porque é neste tipo de empresas que vamos aprender a paixão, empreendedorismo, caso tenhamos a sorte de ter um líder que nos passe tais valores.

Há pessoas que acham que não devem ser muito ‘saltitões’ de empregos ou empresas, pois pensam que isso pode ter uma conotação negativa para potenciais empregadores. Eu digo que tudo depende dos motivos subjacentes a tais saltos.

2- Qual é o mercado de trabalho?
Do debate do ‘tempo normal’ para se ficar num emprego, não se pode excluir o fator ‘ mercado de trabalho’. O turnover ou rotatividade de pessoal é bastante variável tendo em conta o setor ou área em que se trabalha.

Por exemplo, se estivermos a falar de um programador da área das tecnologias de informação, numa posição numa empresa bem cotada no mercado, com um salário de 40 mil euros anuais, 6 meses pode parecer como sendo um tempo curto.

Se estivermos a falar de uma posição de alguém que lave pratos num restaurante, por exemplo, 4 a 5 meses talvez já não parece tão pouco tempo. Tudo é relativo e o turnover até pode estar associado (em termos gerais) a um sector, mas estará sempre mais associado à empresa, e às condições que a mesma oferece aos seus colaboradores, independentemente da função que ocupem.

3- Teorias dos 6/18 meses e contratos
Existem algumas teorias no que concerne à interpretação do número de contratos ou renovações que um trabalhador consegue dentro de uma empresa.

Por exemplo, acredita-se que quando um trabalhador apenas consegue ficar 6 meses numa empresa é porque algo não correu bem, não vendo assim o seu contrato renovado.

Por outro lado, tivemos durante muitos anos, no nosso país, o paradigma dos três contratos de seis meses. Caso o trabalhador passasse ao quadro da empresa depois destes contratos, era um sinal que era bom trabalhador e que acrescentava valor à entidade empregadora.

Ainda assim, estas conclusões dependem sempre da realidade de cada empresa. Queremos sempre acreditar que se um trabalhador dá retorno à empresa, não há qualquer razão para que a mesma não o queira nos seus quadros. Contudo, há que ter em conta que muitas vezes as políticas de gestão deficitárias nas empresas, fazem aumentar a desconfiança no futuro, levando muitas vezes a pouca informação no que toca ao real custo/retorno de um colaborador em específico.

4- O que valorizas? Diferenças entre a geração dos Baby Boomers, X e Y
Afinal o que é que valorizamos num emprego em específico? A resposta a esta pergunta vai ditar qual será para nós, o ‘tempo normal’ a ficar numa determinada empresa ou emprego.

Todos nós temos reagimos de forma diferente em relação aos fatores ou características de um emprego. Estas podem ser:

– Características financeiras: “Vou manter-me neste emprego, porque no mercado não consigo um salário assim, e não me vejo a trabalhar por um salário menor.”

– Estabilidade: “Apesar de não ter dos melhores salários, esta empresa é estável e sei que o meu posto de trabalho estará seguro por muitos anos.”

– Desafios/aprendizagem contínua: “Até posso não ter o melhor salário do mercado, mas nesta empresa estou constantemente a abraçar novos projetos, aprendendo cada vez mais e tornando-me num profissional de excelência.”

– Qualidade de vida: “Este emprego e o horário do mesmo faz com que eu tenha hipótese de manter a qualidade de vida que procuro e fazer as coisas fora do trabalho que eu quero.”

Muitas outras características podiam ser enumeradas. No geral estes fatores estão também relacionados com as diferenças geracionais.

A geração dos Baby Boomers, nascida após a segunda guerra mundial e até cerca de 1965, valorizava mais o satus no trabalho e o crescimento profissional e também a responsabilidade em ter casa própria e carro, podendo relegar para segundo plano a qualidade de vida. Esta geração é fiel à sua empresa, até porque a realidade empresarial que testemunharam foi diferente da atual. Esta foi a realidade do ‘emprego para toda uma vida’

A geração seguinte nascida a partir dos anos de 1965 e até 1979 e vulgarmente chamada de geração X, já atribui mais valor ao equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Já não é tão agarrada a formalismos e status rígidos nos empregos e valorizam mais o informal. Esta geração já não vê com bons olhos trabalhar 20 anos seguidos numa só empresa.

A geração Y nascida a partir dos anos 80, já é mais orientada para a satisfação dos seus interesses pessoais, muito dependente das tecnologias e por isso é muito impaciente, porque vive à velocidade da internet. Admiram a competência real e não as hierarquias.

Conclusão
Depois de ponderados todos estes fatores, realmente torna-se mais fácil enquadrarmo-nos numa realidade, que sendo a nossa, vai aproximar-nos da resposta que procuramos para a pergunta formulada no título do artigo.

E tu? Onde te enquadras e o que valorizas mais?

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